Em matéria do que se chamou "Acordo Ortográfico", sou contra. Absolutamente contra. Nem morto de morte matada ou morrida.



A gíria e o calão

Criptografado, o calão começou por ser a linguagem do fraco contra o poderoso, do conspirador contra o tirano. Di-lo Aquilino Ribeiro na sua apresentação ao livro de Albino Lapa, o Dicionário de Calão que filei num alfarrabista 
É um livro risonho, de palavars que estalam no ar como chicotes. Não é só a língua chula e de viela, é o étimo perfeito do linguajar popular, zombeteiro e altaneiro, pulante e pilha quando não desarranchado e vadio. É o português onomatopaico e singular que nenhum Acordo torna ortográfico, nenhuma Academia borla de doutorice. Não é o português retórico nem de escrivães, falar de escreventes ou de serventes.
Não é a língua de trapos, gaga quando entaramelada, nem a língua de palmo, sofrida e revista, limpa de gralhas e idiotismos mil.
É a gíria e com ela o giro, o passeio da Pátria de fala pela Nação que sabe ler.