Em matéria do que se chamou "Acordo Ortográfico", sou contra. Absolutamente contra. Nem morto de morte matada ou morrida.



Pertués pul meio

Há tanto que se perde na vida, tanto que se encontra por acaso. Foi hoje no Círculo das Letras, ali à Óscar Monteiro Torres, porque merendámos perto, um pai e seus três filhos. Lá estavam, discretos, fruto de uma editora que entretanto soçobrou, a Campo das Letras. Escritos em língua mirandesa. Livros. Trouxe um deles, maravilhado: Las Cuntas de Tiu Jouqin, escrito por Francisco Niebro, nome literário de um assistente da Faculdade de Direito.
Magnífica língua esta: «cque me lembra, siempre fui boubico por cuntas. Squecie-me a oubir-las. Mie bó Ana, mie mai e miu pai cuntórun-me muitas. Mas, quando penso en cuntas, lembra-me simpre tiu Jouqin. Moraba a la mie puorta e yá l conheci biello».
O livro lê-se foneticamente, como se italiano fosse, para que a sonoridade baile nos ouvidos. Das narrativas só a última é da autoria do Tiu Jouquin, as outras são ficções em sua homenagem. Ouvidas na língua de Sendin, o Tiu «cuntaba-las siempre an sendinés, mas as la bezes ponie-le uas bozes de pertués pul meio quando falava Dius ó algue pessona amportante».