Em matéria do que se chamou "Acordo Ortográfico", sou contra. Absolutamente contra. Nem morto de morte matada ou morrida.



O Acordo

Dormir com o anoitecer e acordar com a aurora e tomar em mãos, logo ao despertar, ao acaso, o livro que anda pelo chão, eis o que se passa. E, no caso, são estudos de António Telmo.
Ainda meio ensonado, aprendi que as consoantes se chamam assim porque não tendo som próprio, a sua fonética depende da vogal. Parece que a linguística foi uma invenção alemã com propósitos anti-semitas. E eu, esquecendo o Saussure e o Chomski e mesmo o nosso Lindley Cintra ou o Celso, enquanto os autocarros silabam, exdrúxulos, na rua do meu despertar gramatical, a sintaxe das ideias ainda a organizar-se, lembrei-me do João de Deus e como com o pá, pé, pó, aprendi a língua da nossa avó.
De fugida, fui hoje à re-inauguração da Guimarães que está mais bonita com os mesmos livros ou talvez com menos ainda. Deram-me um folheto sobre o Acordo Ortográfico. Não li ainda mas acho que é contra.
O Acordo é a ASAE da Língua Portuguesa em acção. Com ele deixa de haver consoantes, passa tudo a consonante.