Em matéria do que se chamou "Acordo Ortográfico", sou contra. Absolutamente contra. Nem morto de morte matada ou morrida.



O zero e o infinito

Há na versão brasileira do português aquela forma prodigiosa de dizer que só não é nossa por nós sermos um povo de contidos. «Como na Paraíba, ele se acocorava no chão, o traseiro sentado no zero», leio no livro com que ando, da Clarice Lispector. Lê-se, vê-se e sente-se, exactamente o redondo anelar do ânus, plasmado no chão, como se um olho cego, no poisadeiro situado e em nulo projectado. O zero, o sinal que a numeração romana não conhecia, descoberto pelos árabes, neutro na adição, absorvente na multiplicação, noves fora nada.