Em matéria do que se chamou "Acordo Ortográfico", sou contra. Absolutamente contra. Nem morto de morte matada ou morrida.



Prodigiosas teorias

Podia começar com um qualquer livro, tantos são aqueles em que surpreendemos a espantosa língua na sua mirífica capacidade de ser exprimir. Mas foi ao ler as «Paisagens da China e do Japão» que, neste domingo triste, me decidi a concretizar o que de há muito me seguia como ideia. Parar por um momento, para reflectir no dito e no como foi dito.
Diz Wenceslau de Moraes, a propósito do Ano Novo Chinês: «ao lojas estão escancaradas ao público: frutos, flores, doces, carniças, bonecos, coisas santas, estendem-se pelos caminhos em prodigiosas teorias».
Estanquei na palavra «teorias». Estranho uso, curiosa significação. No português antigo queria dizer fila de pessoas numa procissão, aqui, por imagem, a arrumação ordenada, em filas, de tudo quanto se possa imaginar, para vender, em prodigiosas teorias.