Em matéria do que se chamou "Acordo Ortográfico", sou contra. Absolutamente contra. Nem morto de morte matada ou morrida.



Um armistício de silêncio

Lia esta manhã, sem augurar o que me esperava, o Reinaldo Ferreira. Era o tempo em que para se ser jornalista era preciso escrever bem. O livro são as aventuras extraordinárias do repórter Kiá, assim cognominado depois de uma vida a indagar «Que há?».
Li, extasiado pela escrita, tão adequada ao ambiente, necessária ao cenário, indispensável a criar contexto, hipnotizado pela narrativa.
Na tasca do Forca, ei-lo o Guapo, «descapturando-se dos braços de Dona Fitas», ela «em curto-circuito de ciumeira», ele o «noctívago excursionista», o «galã-apache atrelado a fêmea». Faltava à história D. Álvaro Medeiros e sua «dama berrante» para tudo terminar em sangue, mortas a dama e a gigolette. O crime surge não muitas páginas adiante. Entre a trapeira e o Avenida Palace, «um armistício de silêncio no meio da algazarra».