<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-2963960963205123208</id><updated>2011-09-01T18:07:39.058+01:00</updated><title type='text'>Espantosa Língua</title><subtitle type='html'>As miríficas capacidades estilísticas da língua portuguesa</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://espantosalingua.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2963960963205123208/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://espantosalingua.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>José António Barreiros</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10270004027333633699</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_A8MFNq34JL4/Ss2A1yb1VjI/AAAAAAAABF8/jPXtidUhVgw/S220/JAB-59A.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>40</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2963960963205123208.post-5130944711333692682</id><published>2011-08-21T09:22:00.000+01:00</published><updated>2011-08-21T09:22:49.296+01:00</updated><title type='text'>A mão estendida, orgulhosa!</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A língua não é propriedade do Estado, sim património da Nação, porque é a essência anímica da Pátria. É por ela que nos distinguimos de outros povos, é por ela que formamos o nosso modo sentimental de ser. A gramática é sua espinha, a ortografia apenas a sua pele. O Estado não tem o direito de impor o modo de falar, porque a tanto se opõe o foral livre do seu Povo. Por mais amanuenses do verbo, burocratas do dicionário, escribas arvorados em escreventes, ela viverá, uma vida própria, mutante, terra de liberdade e de pujante vitalidade.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Por tudo isto sou contra o Acordo, recusar-me-ei ao Acordo. Nem que seja o último a escrever com erros de palmatória, estenderei, orgulhoso, a mão!&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2963960963205123208-5130944711333692682?l=espantosalingua.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2963960963205123208/posts/default/5130944711333692682'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2963960963205123208/posts/default/5130944711333692682'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://espantosalingua.blogspot.com/2011/08/mao-estendida-orgulhosa.html' title='A mão estendida, orgulhosa!'/><author><name>José António Barreiros</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04958970604904404916</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_vRvBp7IOHm4/StnoYUEKJyI/AAAAAAAAAJo/s7zZPLEYW80/S220/JAB-59A.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2963960963205123208.post-5915789276301750670</id><published>2011-06-15T19:19:00.000+01:00</published><updated>2011-06-15T19:19:27.377+01:00</updated><title type='text'>Um boum xeforço</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Definitivamente vou resolver comigo esta do Acordo Ortográfico. Primeiro, não tenciono respeitá-lo! Segundo, vou dar-me a liberdade de inventar uma&amp;nbsp;gramática que não precisa de ser inventada, puramente fonética, em que se escreve como se ouve. E achim axo ca milore maneira dum óme ça fajer cumprender inda é esta daxer o Tóino magala caescrebe à xua cumberçada Mariajinha uas cartinhas damôri xinssero e ca ça leiem a modos caxim. Xa num gustarem daler num digam canão é um boum xeforço.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2963960963205123208-5915789276301750670?l=espantosalingua.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2963960963205123208/posts/default/5915789276301750670'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2963960963205123208/posts/default/5915789276301750670'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://espantosalingua.blogspot.com/2011/06/um-boum-xeforco.html' title='Um boum xeforço'/><author><name>José António Barreiros</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04958970604904404916</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_vRvBp7IOHm4/StnoYUEKJyI/AAAAAAAAAJo/s7zZPLEYW80/S220/JAB-59A.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2963960963205123208.post-1922918001299499753</id><published>2011-06-11T18:19:00.001+01:00</published><updated>2011-06-11T18:32:26.821+01:00</updated><title type='text'>A Cidade do Mistério</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Reconheça-se. Talvez tenha sido com o Aquilino Ribeiro que pela última vez se colocou a questão do vocabulário, da terminologia e da nomenclatura na língua portuguesa, em suma, que vantagem há e se problema não há em usar-se na sua máxima extensão as potencialidade que o verbo lusitano oferece. Um amigo meu que faz dos palavrões forma de exprimir sentimentos, dizia, a justificar-se ante aquilo em que uma pertinaz escuta telefónica o surpreendeu, que usava o léxico português em tudo quanto ele permitia, nisso incluindo a linguagem vicentina. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Por causa do Gomes Leal, cuja biografia sigo, reencontrei, na inesperada estante de amarelecidos livros que me ladeia nesta casa cercada de Natureza onde veraneio, um Alexandre Herculano, um Camilo, mesmo um Guedes Amorim e um João Ameal. E não faz dúvida que hoje os nossos melhores escritores não estão muito além&amp;nbsp;dos piores desse tempo. Saberão criar sensações ou arquitectar enredos, terão a capacidade de tornar narrativas em ideias. Mas o uso profundo da língua e toda a sua panóplia de utensílios, esse perdeu-se. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Esperando na «insipidíssima e materialíssima Rua dos Fanqueiros», Gomes Leal lembra a Guerra Junqueiro, morto,&amp;nbsp;a sua promessa de que daria notícias: «Prometeste, ó dilecto amigo, ó singelo Buda dos Algarves, gandaeiro de Quimeras, triste pelingrino da Ilusão. humilde filho das ervas, irmão das violetas, amigo das andorinhas! - escrever à Mocidade, quando de encontrasses nas alamedas estreladas que vão desembocar na Cidade do Mistério, e de lá nos mandares saudades, ou novas tuas, ou recados...».&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2963960963205123208-1922918001299499753?l=espantosalingua.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2963960963205123208/posts/default/1922918001299499753'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2963960963205123208/posts/default/1922918001299499753'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://espantosalingua.blogspot.com/2011/06/cidade-do-misterio.html' title='A Cidade do Mistério'/><author><name>José António Barreiros</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04958970604904404916</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_vRvBp7IOHm4/StnoYUEKJyI/AAAAAAAAAJo/s7zZPLEYW80/S220/JAB-59A.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2963960963205123208.post-6571878922595911172</id><published>2011-03-05T23:38:00.000Z</published><updated>2011-03-05T23:38:45.043Z</updated><title type='text'>A gíria e o calão</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Criptografado, o calão começou por ser a linguagem do fraco contra o poderoso, do conspirador contra o tirano. Di-lo Aquilino Ribeiro na sua apresentação ao livro de Albino Lapa, o &lt;em&gt;Dicionário de Calão&lt;/em&gt; que filei num alfarrabista&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;É um livro risonho, de palavars que estalam no ar como chicotes. Não é só a língua chula e de viela, é o étimo perfeito do linguajar popular, zombeteiro e altaneiro, pulante e pilha quando não desarranchado e vadio. É o português onomatopaico e singular que nenhum Acordo torna ortográfico, nenhuma Academia borla de doutorice. Não é&amp;nbsp;o português retórico nem de escrivães, falar de escreventes ou de serventes.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não é a língua de trapos, gaga quando entaramelada,&amp;nbsp;nem a língua de palmo, sofrida e revista, limpa de gralhas e idiotismos mil.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;É&amp;nbsp;a gíria e com ela o giro, o passeio da Pátria de fala pela Nação que sabe ler.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2963960963205123208-6571878922595911172?l=espantosalingua.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2963960963205123208/posts/default/6571878922595911172'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2963960963205123208/posts/default/6571878922595911172'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://espantosalingua.blogspot.com/2011/03/giria-e-o-calao.html' title='A gíria e o calão'/><author><name>José António Barreiros</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04958970604904404916</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_vRvBp7IOHm4/StnoYUEKJyI/AAAAAAAAAJo/s7zZPLEYW80/S220/JAB-59A.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2963960963205123208.post-7620674636626356173</id><published>2010-12-04T16:41:00.002Z</published><updated>2010-12-04T16:50:05.126Z</updated><title type='text'>Pechinchinho</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif;"&gt;É carinhoso esse mundo dos diminutivos. Partilhamo-lo com os galegos. Um estudo linguístico talvez nos conduzisse e encontrar na morfologia das terras ou na antropologia física das gentes essa razão: onde termina a geografia começa a zoologia humana. Nesta citação, de 1926, de uma obra do Padre Ernesto Ferreira sobre a alma do povo micaelense, cruzei-me, porém, com a carinhosa expressão do carinho: «necessário é, porem, confessar que de todos os diminuitivos o mais carinhoso é o adjectivo pechinchinho ou chichinho. e não tem sabor tam agradavel esta palavra, que diz o mesmo, e talvez melhor, que pequenino?».&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif;"&gt;Então digam-me que não é magnífico e bom um pechinchinho momento de atenção, nem que seja descobrir no que dizemos o melhor do que poderíamos ter dito?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2963960963205123208-7620674636626356173?l=espantosalingua.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2963960963205123208/posts/default/7620674636626356173'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2963960963205123208/posts/default/7620674636626356173'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://espantosalingua.blogspot.com/2010/12/pechinchinho.html' title='Pechinchinho'/><author><name>José António Barreiros</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10270004027333633699</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_A8MFNq34JL4/Ss2A1yb1VjI/AAAAAAAABF8/jPXtidUhVgw/S220/JAB-59A.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2963960963205123208.post-2176731105187351411</id><published>2009-04-11T19:40:00.004+01:00</published><updated>2009-04-11T19:54:26.108+01:00</updated><title type='text'>La polareda</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Voltei ao mirandês, ao livro &lt;em&gt;Las Cuntas de Tiu Jouquin&lt;/em&gt;. Li outro conto, de novo a soletrar as palavras, a ouvi-las como um murmúrio dentro dos ouvidos, a tomar-lhes a grafia. Desta vez foi uma história de guardas e de contrabandistas, de despovoamento, do virar do tempo, o relatório «dua tierra zaparcida». Já disse que o autor escreve sob um pseudónimo, o de Francisco Niebro. Lia o narrador tudo o que podia, livros velhos, livros de igreja. «Molhaba l dedo andicador na léngua e ibalos çfolhando debagarico, mas la polareda era tanta que yá me sabie na boca a chapéu bielho».&lt;br /&gt;La «polareda», o pó, em que tudo se torna, mesmo a arrogância das línguas nacionais, ditatoriais. «"... L mirandés ye ua lhéngua que se eidentefica cun personas. Ten rostros». Sim.Tem rosto, tem alma, tem um extraordinário &lt;a href="http://baglina.blogspot.com/"&gt;modo de ser&lt;/a&gt;. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2963960963205123208-2176731105187351411?l=espantosalingua.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2963960963205123208/posts/default/2176731105187351411'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2963960963205123208/posts/default/2176731105187351411'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://espantosalingua.blogspot.com/2009/04/la-polareda.html' title='La polareda'/><author><name>José António Barreiros</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10270004027333633699</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_A8MFNq34JL4/Ss2A1yb1VjI/AAAAAAAABF8/jPXtidUhVgw/S220/JAB-59A.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2963960963205123208.post-3052728699598189174</id><published>2009-03-25T18:27:00.005Z</published><updated>2009-03-25T18:48:36.125Z</updated><title type='text'>Pertués pul meio</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Há tanto que se perde na vida, tanto que se encontra por acaso. Foi hoje no Círculo das Letras, ali à Óscar Monteiro Torres, porque merendámos perto, um pai e seus três filhos. Lá estavam, discretos, fruto de uma editora que entretanto soçobrou, a &lt;em&gt;Campo das Letras&lt;/em&gt;. Escritos em língua mirandesa. Livros. Trouxe um deles, maravilhado: &lt;em&gt;Las Cuntas de Tiu Jouqin&lt;/em&gt;, escrito por &lt;em&gt;Francisco Niebro&lt;/em&gt;, nome literário de um assistente da Faculdade de Direito.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Magnífica língua esta: «cque me lembra, siempre fui boubico por cuntas. Squecie-me a oubir-las. Mie bó Ana, mie mai e miu pai cuntórun-me muitas. Mas, quando penso en cuntas, lembra-me simpre tiu Jouqin. Moraba a la mie puorta e yá l conheci biello».&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O livro lê-se foneticamente, como se italiano fosse, para que a sonoridade baile nos ouvidos. Das narrativas só a última é da autoria do Tiu Jouquin, as outras são ficções em sua homenagem. Ouvidas na língua de &lt;a href="http://incubator.wikimedia.org/wiki/Wp/mwl/Sendin"&gt;Sendin&lt;/a&gt;, o Tiu «cuntaba-las siempre an sendinés, mas as la bezes ponie-le uas bozes de pertués pul meio quando falava Dius ó algue pessona amportante». &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2963960963205123208-3052728699598189174?l=espantosalingua.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2963960963205123208/posts/default/3052728699598189174'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2963960963205123208/posts/default/3052728699598189174'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://espantosalingua.blogspot.com/2009/03/pertues-pul-meio.html' title='Pertués pul meio'/><author><name>José António Barreiros</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10270004027333633699</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_A8MFNq34JL4/Ss2A1yb1VjI/AAAAAAAABF8/jPXtidUhVgw/S220/JAB-59A.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2963960963205123208.post-3015426784223338407</id><published>2009-03-18T10:05:00.003Z</published><updated>2009-03-18T10:35:27.007Z</updated><title type='text'>Problemas de crescimento</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Tenho uns alertas no Google para saber o que vai acontecendo nas áreas que me interessam ou naquelas de que não me posso desinteressar. Um dos alertas refere-se ao que vai havendo sobre «advogados». Ora eis a razão pela qual ainda consegui o que se chama uma barrigada de riso. A notícia vinha assim: «Advogados do &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_0"&gt;Minhocão&lt;/span&gt; da &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_1"&gt;Rocinha&lt;/span&gt; são funcionários do vereador &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_2"&gt;Claudinho&lt;/span&gt; da Academia».&lt;br /&gt;Espantosa língua de facto! Advogados... do &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_3"&gt;Minhocão&lt;/span&gt;... da &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_4"&gt;Rocinha&lt;/span&gt;, &lt;em&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_5"&gt;lol&lt;/span&gt; &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_6"&gt;lol&lt;/span&gt;, super &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_7"&gt;lol&lt;/span&gt; !&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Morto de riso, quase sufocado de tosse, que isto das alergias não dá alegrias, fui ver o que se passava em matéria de &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_8"&gt;Minhocão&lt;/span&gt;. A notícia, como toda a boa notícia que se preza, esclarece: « Os advogados que assinaram o pedido de liminar para que fosse impedida a demolição do prédio conhecido como &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_9"&gt;Minhocão&lt;/span&gt;, na &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_10"&gt;Rocinha&lt;/span&gt;, são servidores públicos comissionados, nomeados no gabinete do vereador &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_11"&gt;Claudinho&lt;/span&gt; da Academia (&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_12"&gt;PSDC&lt;/span&gt;)».&lt;br /&gt;Pronto! O &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_13"&gt;Minhocão&lt;/span&gt; é um prédio. Ah! &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_14"&gt;Ecco&lt;/span&gt;! Vendo por &lt;a href="http://extra.globo.com/fotos/2008/06/16/16_MHG_minhocao.jpg"&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;aqu&lt;/span&gt;i&lt;/a&gt;, &lt;span class="blsp-spelling-corrected" id="SPELLING_ERROR_15"&gt;percebe&lt;/span&gt;-se o porquê de tal nome. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Só que o riso ainda haveria de voltar, mostrando que não há tristeza que sempre dure. A notícia remata: «Apresentamos este &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_16"&gt;projeto&lt;/span&gt; em 2007. Mas até hoje não foi votado. Enquanto isso, a &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_17"&gt;Rocinha&lt;/span&gt; foi crescendo. Se não parar de crescer, a &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_18"&gt;Rocinha&lt;/span&gt; não vai ter mais jeito - reclama». &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Claro: &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_19"&gt;Rocinha&lt;/span&gt; não pode crescer mais, depois de tanto ter crescido o &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_20"&gt;Minhocão&lt;/span&gt;. &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_21"&gt;Faz&lt;/span&gt; sentido. Um bom dia para todos.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2963960963205123208-3015426784223338407?l=espantosalingua.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2963960963205123208/posts/default/3015426784223338407'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2963960963205123208/posts/default/3015426784223338407'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://espantosalingua.blogspot.com/2009/03/problemas-de-crescimento.html' title='Problemas de crescimento'/><author><name>José António Barreiros</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10270004027333633699</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_A8MFNq34JL4/Ss2A1yb1VjI/AAAAAAAABF8/jPXtidUhVgw/S220/JAB-59A.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2963960963205123208.post-2750380942750870328</id><published>2009-03-03T22:24:00.005Z</published><updated>2009-03-03T22:45:54.182Z</updated><title type='text'>Familiaridades</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Rodrigues Lapa, mestre linguista, chamou-lhe o pronome perdido, o &lt;em&gt;vós&lt;/em&gt;. Antigamente era o designativo cerimonioso, substitutivo da segunda pessoa do singular. Mas, explica o autor da &lt;em&gt;Estilística Portuguesa&lt;/em&gt; que «em certas regiões nortenhas, não há muito, se dava o fenómeno inverso com os namorados. Quando o namoro estava pegado, rapazes e raparigas, que se tratavam normalmente por &lt;em&gt;tu,&lt;/em&gt; começavam a tratar-se cerimoniosamente por &lt;em&gt;vós&lt;/em&gt;, para dar a entender aos outros que não havia entre si familiaridades comprometedoras».&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2963960963205123208-2750380942750870328?l=espantosalingua.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2963960963205123208/posts/default/2750380942750870328'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2963960963205123208/posts/default/2750380942750870328'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://espantosalingua.blogspot.com/2009/03/familiaridades.html' title='Familiaridades'/><author><name>José António Barreiros</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10270004027333633699</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_A8MFNq34JL4/Ss2A1yb1VjI/AAAAAAAABF8/jPXtidUhVgw/S220/JAB-59A.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2963960963205123208.post-5304874077894606953</id><published>2009-02-22T14:57:00.004Z</published><updated>2009-02-22T18:57:44.126Z</updated><title type='text'>Um armistício de silêncio</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Lia esta manhã, sem augurar o que me esperava, o Reinaldo Ferreira. Era o tempo em que para se ser jornalista era preciso escrever bem. O livro são as aventuras extraordinárias do repórter &lt;em&gt;Kiá&lt;/em&gt;, assim cognominado depois de uma vida a indagar «Que há?». &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Li, extasiado pela escrita, tão adequada ao ambiente, necessária ao cenário, indispensável a criar contexto, hipnotizado pela narrativa. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Na tasca do &lt;em&gt;Forca&lt;/em&gt;, ei-lo o &lt;em&gt;Guapo&lt;/em&gt;, «descapturando-se dos braços de &lt;em&gt;Dona Fitas&lt;/em&gt;», ela «em curto-circuito de ciumeira», ele o «noctívago excursionista», o «galã-apache atrelado a fêmea». Faltava à história D. Álvaro Medeiros e sua «dama berrante» para tudo terminar em sangue, mortas a dama e a &lt;em&gt;gigolette&lt;/em&gt;. O crime surge não muitas páginas adiante. Entre a trapeira e o Avenida Palace, «um armistício de silêncio no meio da algazarra».&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2963960963205123208-5304874077894606953?l=espantosalingua.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2963960963205123208/posts/default/5304874077894606953'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2963960963205123208/posts/default/5304874077894606953'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://espantosalingua.blogspot.com/2009/02/um-armisticio-de-silencio.html' title='Um armistício de silêncio'/><author><name>José António Barreiros</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10270004027333633699</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_A8MFNq34JL4/Ss2A1yb1VjI/AAAAAAAABF8/jPXtidUhVgw/S220/JAB-59A.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2963960963205123208.post-5670502944926147700</id><published>2009-02-18T23:21:00.003Z</published><updated>2009-02-18T23:25:55.644Z</updated><title type='text'>Lamento</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Lamento, pelos leitores, as gralhas, os erros de concordância, as frases sem nexo, as trapalhadas de estilo. São o fruto da desatenção, do descuido, do cansaço, da ignorância. Muitas vezes só dou conta depois de alertado e mesmo assim não é à primeira que reparo. Lamento por mim ser eu o autor de tudo isso que desfeia a escrita, menoriza quem escreve, maça quem lê. A espantosa língua merecia mais amor, mais dedicação, mais respeito. Há alturas em que prometo emendar-me; outras tenho sorte e sai tudo impoluto. Hoje tem sido uma desgraça de asneiras, um desatino de disparates.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2963960963205123208-5670502944926147700?l=espantosalingua.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2963960963205123208/posts/default/5670502944926147700'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2963960963205123208/posts/default/5670502944926147700'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://espantosalingua.blogspot.com/2009/02/lamento.html' title='Lamento'/><author><name>José António Barreiros</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10270004027333633699</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_A8MFNq34JL4/Ss2A1yb1VjI/AAAAAAAABF8/jPXtidUhVgw/S220/JAB-59A.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2963960963205123208.post-865600609551164836</id><published>2009-01-04T15:10:00.002Z</published><updated>2009-01-04T15:23:56.874Z</updated><title type='text'>Os cantos do quarto</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Fazer com que a ideia motora, a que explica o insólito e dá finalmente coerência à ideia, possa surgir aposta de seguida ao vazio lógico, para que o leitor a experimente como se ensaisse rolha em gargalo, supõe uma mestria que não está ao alcance do escrever ao acaso da imaginação.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;«Certa noite, a mãe da criança entrou no quarto, olhou para o berço e viu-me sem cabeça».&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Surge assim, meio Kafka, meio Poe, este noção aterradora, na escrita de Carlos de Oliveira.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;«Sem cabeça», pergunta-se ele escritor, fazendo-se eco do grito de surpresa do seu leitor.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Segue-se a resposta. Por etapas, patamar a patamar no edifício da Razão, infestado pelas ratazanas do horror.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Primeiro, a tranquilidade de estamos no campo da ilusão. «O quarto mal iluminado, as cortinas do berço corridas, deram-lhe essa impressão».&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Depois, a irrupção da realidade, tão brutal como que se julgara ter sido o verdadeiramente acontecido. «Desatou a gritar. A aranha era redonda, media mais de um palmo e cobria-me a cara toda».&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;É isto que faz perceber que estamos ante um grande escritor, a exigir um grande leitor, aquele que não espera que lhe expliquem, idiotizando-o, que o não ver faz pensar por vezes no não existir o que não se vê. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ah! tudo termina domesticamente. «A criada apareceu, esborrachou-a com a vassoura». Só que a vida é mais rica do que a capacidade de a matarmos. «Quando a carcaça rebentou, saltaram os aranhiços. Uma dúzia a fugir para os cantos do quarto».&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;É &lt;em&gt;Finisterra, Paisagem e Povoamento&lt;/em&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2963960963205123208-865600609551164836?l=espantosalingua.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2963960963205123208/posts/default/865600609551164836'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2963960963205123208/posts/default/865600609551164836'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://espantosalingua.blogspot.com/2009/01/os-cantos-do-quarto.html' title='Os cantos do quarto'/><author><name>José António Barreiros</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10270004027333633699</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_A8MFNq34JL4/Ss2A1yb1VjI/AAAAAAAABF8/jPXtidUhVgw/S220/JAB-59A.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2963960963205123208.post-113653788934586786</id><published>2008-12-31T11:15:00.003Z</published><updated>2008-12-31T11:43:47.209Z</updated><title type='text'>Votos e bençãos</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Segundo o Dicionário da Academia, a expressão «fazer votos» rege as preposições – de: «(fazer) votos de boas festas»; – para: «fazer votos para que tudo corra bem». – por: sem exemplo.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ora eu que recebi tantos e formulei um pouco menos «faço votos que»! Que nestas alturas é como nas eleições, abençoadas seja, vai tudo a votos!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Uma pessoa mete-se com o Dicionário da Academia e faz votos por aprender a escrever, mesmo que sejam postais de fim de ano...&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2963960963205123208-113653788934586786?l=espantosalingua.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2963960963205123208/posts/default/113653788934586786'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2963960963205123208/posts/default/113653788934586786'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://espantosalingua.blogspot.com/2008/12/votos-e-benos.html' title='Votos e bençãos'/><author><name>José António Barreiros</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10270004027333633699</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_A8MFNq34JL4/Ss2A1yb1VjI/AAAAAAAABF8/jPXtidUhVgw/S220/JAB-59A.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2963960963205123208.post-7492589528954963759</id><published>2008-12-31T10:28:00.005Z</published><updated>2008-12-31T10:39:26.043Z</updated><title type='text'>Não só de justiça vive o homem</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Não será só a toponímia portuguesa. Mas a nossa torna-se mais gritantemente visível e motivo mais directo de riso. Depois de dois dias de pousio esta manhã a net trouxe-me esta notícia: «A prefeita Izabel Cristina Campanari Lorenzetti, o juiz de direito da 2ª Vara, Mário Ramos dos Santos e o presidente da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) Antonio José Contente vão se reunir com o Secretário da Justiça e da Defesa da Cidadania, Luiz Antonio Guimarães Marrey, para reivindicar a instalação da 3ª Vara em Lençóis Paulista. A audiência está agendada para o dia 14 de janeiro em São Paulo».&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ora assim é que é! Um tribunal entre lençóis, a fantasia de qualquer jurista dorminhoco ou que, para além de justiça, queira um pouco de amor. Bom Ano!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;ET: Não acreditam? Vejam &lt;a href="http://www.tribunasite.com.br/interna/ver.asp?noticia=2490"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#000099;"&gt;aqui&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/a&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2963960963205123208-7492589528954963759?l=espantosalingua.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2963960963205123208/posts/default/7492589528954963759'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2963960963205123208/posts/default/7492589528954963759'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://espantosalingua.blogspot.com/2008/12/no-s-de-justia-vive-o-homem.html' title='Não só de justiça vive o homem'/><author><name>José António Barreiros</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10270004027333633699</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_A8MFNq34JL4/Ss2A1yb1VjI/AAAAAAAABF8/jPXtidUhVgw/S220/JAB-59A.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2963960963205123208.post-6936542802611689949</id><published>2008-12-28T19:27:00.004Z</published><updated>2008-12-28T19:35:52.578Z</updated><title type='text'>O nunca ter visto</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Ao Brasil deve Portugal a graça de o português ter passado a ter graça.«Nunca dos nuncas vira o Rio de Janeiro», escreve Machado de Assis a propósto de D. Evarista da Costa e Mascarenhas, viúva de um juiz-de-fora e actual consorte do Dr. Simão Bacamarte, médico que deu em alienista e é um personagem de excelência num conto que é a garantia de duas horas bem passadas. Ora aí está uma forma adejante de dizer o que aqui na Mãe Pátria em linguagem camelídea se diria: «jamais»! Ah! Lê-se «&lt;em&gt;jámé&lt;/em&gt;». Não é francês! É para os da margem sul!&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2963960963205123208-6936542802611689949?l=espantosalingua.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2963960963205123208/posts/default/6936542802611689949'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2963960963205123208/posts/default/6936542802611689949'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://espantosalingua.blogspot.com/2008/12/o-nunca-ter-visto.html' title='O nunca ter visto'/><author><name>José António Barreiros</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10270004027333633699</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_A8MFNq34JL4/Ss2A1yb1VjI/AAAAAAAABF8/jPXtidUhVgw/S220/JAB-59A.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2963960963205123208.post-7293616522442625500</id><published>2008-12-13T10:38:00.006Z</published><updated>2008-12-13T10:42:10.299Z</updated><title type='text'>Segredo e ilusão</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Língua pejada de alçapões a nossa. Um alto responsável pela Justiça disse ontem que ia «desiludir» os deputados pois iria manter o segredo de justiça que o impede de fazer grandes revelações. Percebe-se.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Só que, como se sabe o contrário de desiludir é iludir.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Posto isto a frase poderia ser assim: «porque se não fosse o segredo de justiça, senhores deputados, podia iludi-los». Ou não? Com todo o respeito, claro, mas na vida também tem de haver um momento para se brincar.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2963960963205123208-7293616522442625500?l=espantosalingua.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2963960963205123208/posts/default/7293616522442625500'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2963960963205123208/posts/default/7293616522442625500'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://espantosalingua.blogspot.com/2008/12/segredo-e-iluso.html' title='Segredo e ilusão'/><author><name>José António Barreiros</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10270004027333633699</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_A8MFNq34JL4/Ss2A1yb1VjI/AAAAAAAABF8/jPXtidUhVgw/S220/JAB-59A.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2963960963205123208.post-8391264239659235</id><published>2008-11-27T23:59:00.003Z</published><updated>2008-11-28T07:13:02.074Z</updated><title type='text'>Perdas desconhecidas</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Há formas de titular notícias que as torna verdadeiramente assassinas. Esta noite a Agência Financeira, no seu site &lt;em&gt;on line&lt;/em&gt;, anunciava: «&lt;em&gt;Roubos e erros em «hipers» e «supers» são 1% do volume de negócios&lt;/em&gt;». &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Claro que se um dono de hiper ou de super lê uma coisa destas sente ganas de estrafegar a Agência Financeira, acusado de viver à conta do roubo e do erro. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Mas, pensando melhor, poderia ser bem pior! Afinal, tal como se lê, é só um negócio de roubos e erros em 1% ! Nem vale a pena um desmentido...&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Lendo a notícia alcança-se, entretanto, a sua compreensão: ela diz ser sobre «perdas desconhecidas» nas grandes superfícies. É caso para dizer ah! É um tudo nada um outro mundo.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2963960963205123208-8391264239659235?l=espantosalingua.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2963960963205123208/posts/default/8391264239659235'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2963960963205123208/posts/default/8391264239659235'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://espantosalingua.blogspot.com/2008/11/perdasdesconhecidas.html' title='Perdas desconhecidas'/><author><name>José António Barreiros</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10270004027333633699</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_A8MFNq34JL4/Ss2A1yb1VjI/AAAAAAAABF8/jPXtidUhVgw/S220/JAB-59A.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2963960963205123208.post-8508063570349407184</id><published>2008-11-23T11:12:00.005Z</published><updated>2008-11-23T11:33:57.021Z</updated><title type='text'>Os preciosos filhos</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Estive a ler esta manhã a introdução que Pedro Barreiros escreveu às &lt;em&gt;Elegias Chinesas&lt;/em&gt; de Camilo Pessanha e a homenagem que ali presta a quantos, como António Quadros, souberam ver na escrita do autor da Clepsidra tudo o que não enxergam «os hermeneutas do óbvio».&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Texto a escorrer-se sobre a língua e absorto pelo saber, póstumo e justificativo, se Pessanha dominava ou não a linguagem «dos Celestes», no dizer admirável de António Osório de Castro, há nele a passagem em que alude à «doce papiaçan macaísta», esse forma frutífera de dizer que os trópicos modelaram e naquelas remotas paragens do sol nascente se amancebou com «a música ebúrnea do baralhar das peças de ma jong».&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Mas há, a acompanhar-me como um bater amigável de mão familiar nas costas, a animar este dia em que o sol sorri, a referência às boas maneiras que obrigam quem fala a referir-se si próprio com «expressões humildes e depreciativas», enquanto «a pessoa do interlocutor deveria ser tratada com os mais pomposos epitetos». &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O exemplo, esclarecedor porque eloquente, é a forma risonha de aprender, que torna o mestre o amigo. Assim «quantos preciosos filhos tem», receberia a resposta «cinco estúpidos porquinhos».&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2963960963205123208-8508063570349407184?l=espantosalingua.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2963960963205123208/posts/default/8508063570349407184'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2963960963205123208/posts/default/8508063570349407184'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://espantosalingua.blogspot.com/2008/11/os-preciosos-filhos.html' title='Os preciosos filhos'/><author><name>José António Barreiros</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10270004027333633699</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_A8MFNq34JL4/Ss2A1yb1VjI/AAAAAAAABF8/jPXtidUhVgw/S220/JAB-59A.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2963960963205123208.post-7348887975339366960</id><published>2008-11-16T10:56:00.006Z</published><updated>2008-11-17T05:17:03.730Z</updated><title type='text'>A contemplação da palavra</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Uma das maravilhas ultramarinas do modo de ser português é a palavra&lt;em&gt; encontro&lt;/em&gt; pronunciar-se como &lt;em&gt;café&lt;/em&gt;. Dois amigos que se querem rever perguntam-se quando poderão &lt;em&gt;tomar um café&lt;/em&gt;. Quem anda da vida desencontrado sente-se &lt;em&gt;diante de uma chávena de café&lt;/em&gt;. Na aridez da monotonia social em que nada se encontra porque nada surge, vive-se a &lt;em&gt;vida de café&lt;/em&gt;. Por outro lado, lentamente, foi-se &lt;em&gt;perdendo o chá&lt;/em&gt; e com ele as boas maneiras, foi-se &lt;em&gt;descafeinando&lt;/em&gt; a existência, tornando-a uma série televisiva interminável, a vida própria real subjugada à vida irreal da personagem dos outros, obrigado mas à noite &lt;em&gt;quero dormir não tomo café&lt;/em&gt;. Uma das maravilhas da língua portuguesa, carregada de História e ansiosa de futuro, é cada palavra ser uma floresta mágica de sentidos, as palavras terem odor, escorrerem significado, assustarem de tão densas, cada uma um grito visigótico na noite, uma negra queimada ao entardecer e a contemplação moura ante a palavra proibida de dizer-se.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2963960963205123208-7348887975339366960?l=espantosalingua.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2963960963205123208/posts/default/7348887975339366960'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2963960963205123208/posts/default/7348887975339366960'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://espantosalingua.blogspot.com/2008/11/uma-das-maravilhas-ultramarinas-do-modo.html' title='A contemplação da palavra'/><author><name>José António Barreiros</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10270004027333633699</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_A8MFNq34JL4/Ss2A1yb1VjI/AAAAAAAABF8/jPXtidUhVgw/S220/JAB-59A.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2963960963205123208.post-1520719654210115026</id><published>2008-09-11T07:27:00.003+01:00</published><updated>2008-09-11T11:33:35.906+01:00</updated><title type='text'>Fantástico verbo</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Comecei a ler um livro do Ernesto Sabato, intitulado &lt;em&gt;O escritor e seus fantasmas&lt;/em&gt;, depois de ter ficado fascinado com o &lt;em&gt;Resistir&lt;/em&gt; do mesmo magnífico argentino. A obra consiste em reflexões sobre o «por que, como e para que se escrevem ficções?».&lt;br /&gt;Num certo passo, diz Sabato: «se alguém nasceu para dizer coisas novas, não vai perdendo essa faculdade lendo livros ou mamando em outras culturas».&lt;br /&gt;Fantástico verbo este, significativo gerúndio: mamando em outras culturas. Um sopro de sofreguidão primal, afirmativa, iniciática perpassa por aqui. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2963960963205123208-1520719654210115026?l=espantosalingua.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2963960963205123208/posts/default/1520719654210115026'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2963960963205123208/posts/default/1520719654210115026'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://espantosalingua.blogspot.com/2008/09/fantstico-verbo.html' title='Fantástico verbo'/><author><name>José António Barreiros</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10270004027333633699</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_A8MFNq34JL4/Ss2A1yb1VjI/AAAAAAAABF8/jPXtidUhVgw/S220/JAB-59A.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2963960963205123208.post-4442586717725713808</id><published>2008-08-30T14:37:00.004+01:00</published><updated>2008-08-30T18:31:00.655+01:00</updated><title type='text'>Seu dedicado, Thomaz</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Reconheço que temos uma língua de estalo, o que às vezes faz com que dê vontade de andar à estalada! No último &lt;em&gt;&lt;a href="http://revoltadaspalavras.blogspot.com/2008/08/poesia-higinica.html"&gt;post&lt;/a&gt;&lt;/em&gt; que escrevi sobre um poema do Tomaz de Figueiredo disse que ele o «dedicou» ao presidente do Conselho do regime anterior, Marcelo José das Neves Alves Caetano. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ora logo uma minha antiga leitora, anti-fascista de gema, concluiu que se o dito &lt;em&gt;dedicava&lt;/em&gt; o quer que fosse ao mencionado Caetano é porque era um «fascista», e logo um outro, recém-chegado aos meus textos, viu em «um ou dois» posts meus, que entretanto terá lido, um «discurso do "Reviralho"».&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Nem mais nem ontem, como diria o outro.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;É este o perigo de dois tiques comportamentais que se tornam hábitos: leitura apressada, interpretação literal, julgamento sumário.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Claro que lendo o poema vê-se que o dito Figueiredo ridiculariza até ao vómito, num estilo brejeiro e numa linguagem soez, aquele que sucedeu a Oliveira Salazar no Governo de Portugal, e que portanto pode ter todos os pecados e virtudes mas não o ser um fascista; e claro que lendo o muito que eu escrevi em vários dos meus blogs se nota que muita vez há precisamente nessa escrita o contrário desse reviralhismo de dicurso.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Não importa. Não há tempo! Escreveu, morreu! &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Movidos pela rapidez tornamo-nos todos juízes do antigo Tribunal de Polícia, mestres na Justiça expedita! «Você falou em Tomás a dedicar não sei o quê ao &lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Marcello_Caetano"&gt;Caetano&lt;/a&gt;? Fascista! O quê? Nega? Mentiroso! Atrevido! Olhe que eu não me deixo enganar, ouviu? E não se brinca na Polícia, perdão, na Justiça! Ou julga que não topámos que esse Tomás é o Américo &lt;a href="http://www.presidencia.pt/?idc=13&amp;amp;idi=26"&gt;de Deus Rodrigues Tomás&lt;/a&gt;?, ou &lt;a href="http://www.hidrografico.pt/americo-rodrigues-thomaz-1894-1987.php"&gt;Thomaz&lt;/a&gt;, tanto faz». &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;P. S. Dedicar não quer dizer escrever uma dedicatória. Acho eu, em minha defesa, senhores juízes.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2963960963205123208-4442586717725713808?l=espantosalingua.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2963960963205123208/posts/default/4442586717725713808'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2963960963205123208/posts/default/4442586717725713808'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://espantosalingua.blogspot.com/2008/08/seu-dedicado-thomaz.html' title='Seu dedicado, Thomaz'/><author><name>José António Barreiros</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10270004027333633699</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_A8MFNq34JL4/Ss2A1yb1VjI/AAAAAAAABF8/jPXtidUhVgw/S220/JAB-59A.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2963960963205123208.post-7806474855265773568</id><published>2008-07-30T21:24:00.005+01:00</published><updated>2008-07-30T21:48:03.047+01:00</updated><title type='text'>Altere-se a pontuação</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Altere-se a pontuação! Invente-se o ponto dubitativo, coisa diferente do ponto de interrogação, o ponto de suspeita, mais distinto ainda dos outros dois, e ainda o ponto da incerteza. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Transforme-se o ponto que é de exclamação e admiração, e por vezes jeito de mandar, em forma suplicante de dizer, o ponto da saudade ansiosa, chamativa.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Suprimam-se de vez os pontos finais, para que a noite sem amanhã seja o ventre de toda a literatura, a infinita biblioteca. Para quê parágrafos quando há uma só frase para uma mesma ideia, o sem fim do discurso, a permanente indiferença ao que se diz?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Vão os parentesis, curvos, rectos ou outros que tais, os traços a intercalar frases, para que nenhum vocábulo, nenhum conceito, nenhum sentimento se possa esconder atrás do biombo do entretanto, proibam-se por decreto os pés de página ou fins de página, ou qualquer forma de criar rodilhas de ditos a ensarilharem-se no escrito, inúteis quando não lidos, prejudiciais quando alguém os lê.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Altere-se a pontuação! Que nem fiquem as vírgulas, essas cedilhas que defendem os bofes do leitor de planície das longas passadas do escritor montanheiro, factor de guerra civil entre escritores leitores e revisores. Haja paz!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Altere-se a pontuação! Deponha-se o reino tirânico dos imperativos categóricos e mandões do pontua aqui, virgula além, separa por traços, abre parêntesis e não esquecer de o fechar, permaneça, enfim, a doçura, a delicadeza, o ponto e vírgula sim, o ponto e vírgula, essa figurinha tímida e querida que pede licença para interromper a meio, sem chegar verdadeiramente a interromper.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2963960963205123208-7806474855265773568?l=espantosalingua.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2963960963205123208/posts/default/7806474855265773568'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2963960963205123208/posts/default/7806474855265773568'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://espantosalingua.blogspot.com/2008/07/altere-se-pontuao.html' title='Altere-se a pontuação'/><author><name>José António Barreiros</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10270004027333633699</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_A8MFNq34JL4/Ss2A1yb1VjI/AAAAAAAABF8/jPXtidUhVgw/S220/JAB-59A.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2963960963205123208.post-895082293033115270</id><published>2008-07-07T22:52:00.004+01:00</published><updated>2008-07-08T05:16:15.050+01:00</updated><title type='text'>Pedras, fragas, restos</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Já o tinha comprado faz tempo e havia começado a ler; mas pusera-o de lado por embirração pura, por me cheirar a espólio refoicilado, um cheiro a interminável arca de infindáveis inéditos, como surgem agora nas mãos de rapaces herdeiros e de ansiosos editores. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Esta noite fui buscá-lo à pequena Babel que se acumula ao pé da cama, a pilha dos que hei-de ler, os livros que se arrumasse sentia estar a condená-los ao cemitério da estante. Falava do Teixeira de Pascoaes, que conhecera em Amarante «a bengalinha adiantando-se e abrindo caminho à bicada». Uma pessoa lê isto, e assim foi escrito pelo Alexandre O'Neill e sente o pica-pau ferindo o chão duro do caminho, e atrás «o meu poeta murmurava coisas, possivelmente pedras, fragas, restos do Marão por digerir».&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Como se escreve maravilhosamente na língua portuguesa, tanto que um leitor sente-se ali mesmo, no lajedo e no empedrado, o andarilho, descarnado viandante, «um rosto de pedra atormentada», onomatopaicamente presente.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Não sei se esta noite conseguirei ler mais, mas mais não é preciso. Morreu o Dr. Joaquim. Faz tempo.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2963960963205123208-895082293033115270?l=espantosalingua.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2963960963205123208/posts/default/895082293033115270'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2963960963205123208/posts/default/895082293033115270'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://espantosalingua.blogspot.com/2008/07/pedras-fragas-restos.html' title='Pedras, fragas, restos'/><author><name>José António Barreiros</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10270004027333633699</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_A8MFNq34JL4/Ss2A1yb1VjI/AAAAAAAABF8/jPXtidUhVgw/S220/JAB-59A.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2963960963205123208.post-7676567237099201453</id><published>2008-06-21T23:45:00.003+01:00</published><updated>2008-06-21T23:57:55.809+01:00</updated><title type='text'>Bom para imprimir</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Caço gralhas, como quem cata saltitonas pulgas, arranca pertinazes carraças, como quem, em noite de insónia, dispara, semi-atarantado, chineladas à toa numa luta de morte com um irritante mosquito.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;É a actividade venatória anterior ao escrever o «bom para imprimir», a partir do qual a asneira se torna irremediável. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O pior são as vírgulas, aquelas lágrimas que servem para pontuar a pausa e para separar a ideia, que dão ao leitor cansado a oportunidade de tomar fôlego, e ao escritor confuso a possibilidade de não se perder de vez no que ia para dizer.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Outro dia, ao ler uma gramática novecentista, fiquei deslumbrado com o modo anárquico como se virgulava ali. Qual chuva de perdigotos, era um salpicar delas, até à exaustação do ponto final.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Depois ainda há o ponto e vírgula, bengala para os coxos narradores que encontram ali a forma de descansarem a perna dormente da escrita e não caírem no precipício do ponto final parágrafo.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2963960963205123208-7676567237099201453?l=espantosalingua.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2963960963205123208/posts/default/7676567237099201453'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2963960963205123208/posts/default/7676567237099201453'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://espantosalingua.blogspot.com/2008/06/bom-para-imprimir.html' title='Bom para imprimir'/><author><name>José António Barreiros</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10270004027333633699</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_A8MFNq34JL4/Ss2A1yb1VjI/AAAAAAAABF8/jPXtidUhVgw/S220/JAB-59A.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2963960963205123208.post-3356683261052680664</id><published>2008-06-16T19:24:00.004+01:00</published><updated>2008-06-16T19:47:03.502+01:00</updated><title type='text'>A densidade dos sentimentos</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Quando se vive perseguido pelos gramáticos, um homem desespera-se. Quando se aprende uma língua estrangeira são os fonéticos, porque não é asssim que se pronuncia, muito menos como parece. No fim da linha, esgotadas as várias partições da Gramática, idos os da Morfologia e os da Sintaxe, ficam ainda os da Semântica, afora os da Pragmática, estes últimos a tratar da língua como forma eficaz de comunicar.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Este fim de tarde, depois de umas horas de sono para reparar uma noite mal dormida, acordei para um livro, que á aquele momento extraordinário de encontrarmos alguém, quantas vezes já morto, que nos responde quando dele nos abeiramos.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Foi aí que li a citação, da frase que será de Giosuè Carducci, quando escreveu «o silêncio verde dos campos». Não, não é «o silêncio dos campos verdes». É um mundo outro, longínquo, de tudo isso distante, o dos que enrolam as palavras nas frases, para assim esconderem a densidade dos seus sentimentos, os que estão em incorrigível gralha.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2963960963205123208-3356683261052680664?l=espantosalingua.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2963960963205123208/posts/default/3356683261052680664'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2963960963205123208/posts/default/3356683261052680664'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://espantosalingua.blogspot.com/2008/06/densidade-dos-sentimentos.html' title='A densidade dos sentimentos'/><author><name>José António Barreiros</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10270004027333633699</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_A8MFNq34JL4/Ss2A1yb1VjI/AAAAAAAABF8/jPXtidUhVgw/S220/JAB-59A.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2963960963205123208.post-4147780129181309386</id><published>2008-05-31T00:58:00.000+01:00</published><updated>2008-05-31T06:13:27.516+01:00</updated><title type='text'>O Acordo</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Dormir com o anoitecer e acordar com a aurora e tomar em mãos, logo ao despertar, ao acaso, o livro que anda pelo chão, eis o que se passa. E, no caso, são estudos de António Telmo. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ainda meio ensonado, aprendi que as &lt;em&gt;consoantes&lt;/em&gt; se chamam assim porque não tendo som próprio, a sua fonética depende da vogal. Parece que a linguística foi uma invenção alemã com propósitos anti-semitas. E eu, esquecendo o Saussure e o Chomski e mesmo o nosso Lindley Cintra ou o Celso, enquanto os autocarros silabam, exdrúxulos, na rua do meu despertar gramatical, a sintaxe das ideias ainda a organizar-se, lembrei-me do João de Deus e como com o &lt;em&gt;pá, pé, pó&lt;/em&gt;, aprendi a língua da nossa avó. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;De fugida, fui hoje à re-inauguração da Guimarães que está mais bonita com os mesmos livros ou talvez com menos ainda. Deram-me um folheto sobre o Acordo Ortográfico. Não li ainda mas acho que é contra. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O Acordo é a ASAE da Língua Portuguesa em acção. Com ele deixa de haver consoantes, passa tudo a consonante.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2963960963205123208-4147780129181309386?l=espantosalingua.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2963960963205123208/posts/default/4147780129181309386'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2963960963205123208/posts/default/4147780129181309386'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://espantosalingua.blogspot.com/2008/05/o-acordo.html' title='O Acordo'/><author><name>José António Barreiros</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10270004027333633699</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_A8MFNq34JL4/Ss2A1yb1VjI/AAAAAAAABF8/jPXtidUhVgw/S220/JAB-59A.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2963960963205123208.post-1700026612182937290</id><published>2008-04-29T05:52:00.003+01:00</published><updated>2008-04-29T15:11:48.726+01:00</updated><title type='text'>Talvez</title><content type='html'>Ao ler no blog mãe, lago onde vão confluir todos os outros blogs, dei conta que dois posts seguindo começavam por «talvez». É uma das palavras mais sentidas nas línguas que a tenham, expressão dubitativa e concessiva, típica dos que trocam uma certeza pelo evitar uma discussão. Ou talvez nem seja isso.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2963960963205123208-1700026612182937290?l=espantosalingua.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2963960963205123208/posts/default/1700026612182937290'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2963960963205123208/posts/default/1700026612182937290'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://espantosalingua.blogspot.com/2008/04/talvez.html' title='Talvez'/><author><name>José António Barreiros</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10270004027333633699</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_A8MFNq34JL4/Ss2A1yb1VjI/AAAAAAAABF8/jPXtidUhVgw/S220/JAB-59A.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2963960963205123208.post-7991160125079499265</id><published>2008-02-24T16:18:00.005Z</published><updated>2008-02-27T10:44:03.843Z</updated><title type='text'>E eu à minha</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;A rica língua portuguesa conhece várias formas de nos vermos livres de situações inoportunas. «&lt;em&gt;Vão pentear macacos&lt;/em&gt;», «&lt;em&gt;vão-se catar&lt;/em&gt;», «&lt;em&gt;vão lamber sabão&lt;/em&gt;», «&lt;em&gt;vão ver se chove&lt;/em&gt;», enfim, um ror de autêntico baile mandado verbal, em que o verbo «&lt;em&gt;ir&lt;/em&gt;» rompe, imperativo, isto para excluir o soez «&lt;em&gt;vão àquela parte&lt;/em&gt;».&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Surgiu agora o inesperado de uma forma repontona: «&lt;em&gt;vão à vossa vida, que eu vou à minha&lt;/em&gt;». &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ora infelizmente tudo isto é equívoco. Em vez do presente do indicativo, «&lt;em&gt;vão&lt;/em&gt;», a gramática ensina que, a ser o imperativo, tem de ser o já quase arcaico: «&lt;em&gt;ide à vossa vida, que eu eu vou à minha&lt;/em&gt;». &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Pobre do verbo «&lt;em&gt;ir&lt;/em&gt;», que já merece dos gramáticos o epíteto deprimente de &lt;em&gt;verbo anómalo&lt;/em&gt;, porque, tal como o verbo «ser» é dos que que apresentam mais de um radical quando são conjugados. Ora vejam: v&lt;em&gt;ou, ia, fui, fora, vais, íeis&lt;/em&gt;, um sei lá quantas formas em que nem parece que se trata do mesmo «ir».&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Uma coisa ficou clara, finalmente: é que «à&lt;em&gt; vossa vida&lt;/em&gt;» e «&lt;em&gt;eu à minha&lt;/em&gt;» mostra que de vidas diferentes, afinal, se trata! Custou, mas foi! Já chega de confusões.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2963960963205123208-7991160125079499265?l=espantosalingua.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2963960963205123208/posts/default/7991160125079499265'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2963960963205123208/posts/default/7991160125079499265'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://espantosalingua.blogspot.com/2008/02/e-eu-minha.html' title='E eu à minha'/><author><name>José António Barreiros</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10270004027333633699</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_A8MFNq34JL4/Ss2A1yb1VjI/AAAAAAAABF8/jPXtidUhVgw/S220/JAB-59A.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2963960963205123208.post-8689949604060978071</id><published>2008-01-13T23:35:00.000Z</published><updated>2008-01-14T00:17:02.029Z</updated><title type='text'>O milagre da sobrevivência</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Acabei de ler a «Memória de Elefante» de António Lobo Antunes. É o seu primeiro livro, de êxito inesperado.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Lobo Antunes escreve e suprime e revê e corrige, num interminável contínuo de criação. Resultado: rara é a página onde não há um extraordinário modo de dizer um mundo de fealdade e de raivosa abjecção. Só ele não gosta deste seu livro e da galeria de monstros vivos que o povoam.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;São, entre os entes humanos, delegados de propaganda médica de «simpatia impositiva», na «loquacidade demasiado delicada e bem vestida», «seres debitantes», «sempre-em-pés da boa educação», o velhote «digno com cara de ajudante de notário», «de óculos da espessura de pisa-papéis, que lhe aumentavam os olhos até às proporções de hirsutos insectos gigantes cercados de enormes patas de pestanas», «as damas de abundante busto boleado ao torno», a criancinha «vestido à maruja como macaco de realejo», os chulos nacionais «rondando nádegas em ademanes de hienas», o calmeirão no deboche desesperado a «afogar as misérias no mamalhal», a «dama obesa ocupada pela pirâmide de um enorme gelado obeso», «os cancerosos nas enfermarias agarrados ao mundo pelo umbigo da morfina», os «japoneses joviais cumprimentando-se uns aos outros numa linguagem de periquitos»; são, nos sentimentos, a «guinada de saudade violentamente física como uma víscera que explode», o «saciamento de jibóia», as «guinadas de azia e de gases que hesitavam entre o suspiro e o arroto»; é a vida vivida, como o casamento que «definhou de mocidade como outros de velhice, «os funerais, a massa consistente da família», «o cavalheiro idoso a tropeçar nas ceroulas na direcção da meta próxima do cancro da próstata e da última algália»; são até os próprios sentidos, convocados tristes, «os monótonos, merdosos e trágicos odores da fome e da miséria», o «lixo comestível», «o único cogumelo que enfeitava o hamburguer e que se assemelhava a um molar amarelecido à falta de dentífrico»; é «o dentista despovoador de gengivas», no louco masturbador compulsivo e exibicionista «o trapo de pele amarrotado do pénis», na inanidade juvenil «a geração do &lt;em&gt;cogitus interruptus&lt;/em&gt;»; é o Portugal em que «já se nasce Inválido do Comércio e reduzimos as ambições ao primeiro prémio da Liga de Cegos João de Deus».&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;É, em suma, o amor do adormecerem «liquefeitos, numa moleza sem cor, náufragos jubilosos da ternura», «um casal em crise encrespado de silencioso ódio conjugal», o «polvo gelatinoso da depressão», o «repositório de aflições concentradas». &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;É, no fim, «a vontade de se vomitar a si próprio», ele, «espectador extasiado do próprio sofrimento».&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Extraordinária escrita, magnífico mundo, infinito milagre sobreviver o Homem à Criação!&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2963960963205123208-8689949604060978071?l=espantosalingua.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2963960963205123208/posts/default/8689949604060978071'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2963960963205123208/posts/default/8689949604060978071'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://espantosalingua.blogspot.com/2008/01/o-milagre-da-sobrevivncia.html' title='O milagre da sobrevivência'/><author><name>José António Barreiros</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10270004027333633699</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_A8MFNq34JL4/Ss2A1yb1VjI/AAAAAAAABF8/jPXtidUhVgw/S220/JAB-59A.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2963960963205123208.post-7208027292828924598</id><published>2007-11-21T20:06:00.000Z</published><updated>2007-11-22T20:44:15.681Z</updated><title type='text'>Escritores de rua</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Ontem aprendi que «alma até Almeida» provém do facto de até atingir esta localidade ser sempre a subir. Hoje ensinaram-me que os varredores das ruas de Lisboa terão vindo daquela origem e por isso se chamam em memória corográfica «almeidas». Em tempos a garotada das ruas «alfacinhas», malta pulante de calção rachado e tez famélica chamava-lhes, pobres a apoucarem pobres, os «escrivães da pena longa». Com o surgimento dos eléctricos e seus carris de ferro, serpenteando com linhas paralelas as ruas irrequietas da capital, a «ganapada» atrevidota, gritava-lhes de arremesso o chiste: «agora já escrevem em papel pautado!». De vez em quando era vassourada que fervia. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2963960963205123208-7208027292828924598?l=espantosalingua.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2963960963205123208/posts/default/7208027292828924598'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2963960963205123208/posts/default/7208027292828924598'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://espantosalingua.blogspot.com/2007/11/escritores-de-rua.html' title='Escritores de rua'/><author><name>José António Barreiros</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10270004027333633699</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_A8MFNq34JL4/Ss2A1yb1VjI/AAAAAAAABF8/jPXtidUhVgw/S220/JAB-59A.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2963960963205123208.post-4720553597184317506</id><published>2007-11-06T14:01:00.000Z</published><updated>2007-11-06T15:39:48.825Z</updated><title type='text'>Promovendo a diversificação</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Repetições inúteis, redundâncias semânticas, há no falar quotidiano dúzias. Os puristas têm horror a elas e censuram quem as usa.&lt;br /&gt;Mão amiga fez-me chegar ontem uma lista de exemplos: &lt;em&gt;elo de ligação - acabamento final - certeza absoluta - quantia exata - nos dias 8, 9 e 10, inclusive - juntamente com - expressamente proibido - em duas metades iguais - sintomas indicativos - há anos atrás - vereador da cidade - outraalternativa - detalhes minuciosos - a razão é porque - anexo juntoà carta - de sua livre escolha - superavit positivo - todos foram unânimes - conviver junto - facto real - encarar de frente - multidão de pessoas - amanhecer o dia - criação nova - retornar de novo - empréstimo temporário - surpresa inesperada - escolha opcional - planear antecipadamente - abertura inaugural - continua apermanecer - a última versão definitiva - possivelmentepoderá ocorrer - comparecer em pessoa - gritar bem alto - propriedade característica - demasiadamente excessivo - a seu critério pessoal - exceder em muito&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;Li isto hoje e, acossado de trabalho, lembrei-me da Estilística da Língua Portuguesa do professor Rodrigues Lapa, a propósito do haver ou não sinónimos e fui a correr à estante para poder copiar este seu excerto: «&lt;em&gt;pode, ao princípio, dar-se o caso de duas ou mais palavras designarem o mesmo objecto. É um momento fugaz; logo o espírito reage para destruir o perigoso equilíbrio; introduzindo cambiantes de sentido, promovendo a diversificação&lt;/em&gt;».&lt;br /&gt;«Momento fugaz», escreveu o mestre. Haverá momentos não fugazes? Felizmente não, e felizmente há a inutilidade da expressão, reiterativa, tautológica, cheia de belas inutilidades frásicas, de ecos de sensibilidade fonética.&lt;br /&gt;Abençoadas pois as tautologias, sem elas a vida, vivida como eu a vivo pela literatura, seria tão breve quanto ressequida.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2963960963205123208-4720553597184317506?l=espantosalingua.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2963960963205123208/posts/default/4720553597184317506'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2963960963205123208/posts/default/4720553597184317506'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://espantosalingua.blogspot.com/2007/11/promovendo-diversificao.html' title='Promovendo a diversificação'/><author><name>José António Barreiros</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10270004027333633699</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_A8MFNq34JL4/Ss2A1yb1VjI/AAAAAAAABF8/jPXtidUhVgw/S220/JAB-59A.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2963960963205123208.post-6736465989738562660</id><published>2007-11-02T18:13:00.000Z</published><updated>2007-11-02T18:21:47.563Z</updated><title type='text'>Adeus</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Nós dizemos em Portugal «dizer adeus», eles dizem no Brasil «dar adeus».&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A diferença é grande na substância, maior na intenção. Eles confiam a pessoa em partida à Divina Providência, na forma do «vai com Deus». A nós resta-nos do acto da dávida o dizê-lo.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2963960963205123208-6736465989738562660?l=espantosalingua.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2963960963205123208/posts/default/6736465989738562660'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2963960963205123208/posts/default/6736465989738562660'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://espantosalingua.blogspot.com/2007/11/adeus.html' title='Adeus'/><author><name>José António Barreiros</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10270004027333633699</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_A8MFNq34JL4/Ss2A1yb1VjI/AAAAAAAABF8/jPXtidUhVgw/S220/JAB-59A.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2963960963205123208.post-1338194400980232603</id><published>2007-10-27T17:52:00.001+01:00</published><updated>2007-10-27T17:58:01.997+01:00</updated><title type='text'>Em trânsito, inteirados todos</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;«Eu &lt;em&gt;transitava&lt;/em&gt; pelas pessoas como um longo olhar sem rumo», escreveu José Cardoso Pires no seu texto de ser ressuscitado, o «De Profundis», falando do outro eu que em si habitava e que agora, no hospital «comporta-se naquele planeta como um figurante gratuito que o destino acrescentou à paisagem». &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A esta hora, sábado, começará em breve, no Hospital aqui ao lado, a distribuição do jantar. Janta-se mais cedo, adormece-se mais cedo, morre-se mais cedo nestes hospitais. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Transitava, eis pois o verbo perfeito para aquele momento transitório e transitivo do que é ter-se vivido, os médicos «inteirados» do nosso estado.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2963960963205123208-1338194400980232603?l=espantosalingua.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2963960963205123208/posts/default/1338194400980232603'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2963960963205123208/posts/default/1338194400980232603'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://espantosalingua.blogspot.com/2007/10/em-trnsito-inteirados-todos.html' title='Em trânsito, inteirados todos'/><author><name>José António Barreiros</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10270004027333633699</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_A8MFNq34JL4/Ss2A1yb1VjI/AAAAAAAABF8/jPXtidUhVgw/S220/JAB-59A.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2963960963205123208.post-6386963493041988479</id><published>2007-09-08T22:40:00.000+01:00</published><updated>2007-09-08T22:47:43.426+01:00</updated><title type='text'>Saudades do inferno</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;O facto de se dizer do «ladrar» dos cães, «o &lt;em&gt;ladrido&lt;/em&gt; dos cães», dá uma ressonância latida ao ganir da cãozoada, menos lúgubre do que o uivo, mais soluçado que o rosnado, mais aflitivo em noite escura, lendo sozinho nesta noite sem lua, o livrinho pequeno onde vejo a notável frase: «aquele malvado cão ladrava como se estivesse com saudades do inferno». É no José Gomes Ferreira, «O Enigma da Árvore Enamorada», editada pela Moraes, em 1980.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2963960963205123208-6386963493041988479?l=espantosalingua.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2963960963205123208/posts/default/6386963493041988479'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2963960963205123208/posts/default/6386963493041988479'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://espantosalingua.blogspot.com/2007/09/saudades-do-inferno.html' title='Saudades do inferno'/><author><name>José António Barreiros</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10270004027333633699</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_A8MFNq34JL4/Ss2A1yb1VjI/AAAAAAAABF8/jPXtidUhVgw/S220/JAB-59A.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2963960963205123208.post-2679634505697807763</id><published>2007-08-05T16:00:00.000+01:00</published><updated>2007-08-05T16:05:26.562+01:00</updated><title type='text'>Autotélico</title><content type='html'>Há um «site» de termos literários pelo qual se vê que autotélico se diz da obra de arte que só o seu autor entende. Excluindo qualquer pragmática, isto é, negando-se, ao contrário do pensamento didáctico, a ser entendida por terceiros, a obra de arte nega-se à compreensão alheia. «Regra geral, o artista autotélico defende-se com o argumento de que uma obra de arte não explica, mas implica», diz-se nesse «site».&lt;br /&gt;Quando se lê isto pensa-se logo nos autores. Estranhamente eu li isto e pensei que tinha a ver com os críticos literários. Ou estarei neste modo de dizer já patologicamente autotélico?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2963960963205123208-2679634505697807763?l=espantosalingua.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2963960963205123208/posts/default/2679634505697807763'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2963960963205123208/posts/default/2679634505697807763'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://espantosalingua.blogspot.com/2007/08/autotlico.html' title='Autotélico'/><author><name>José António Barreiros</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10270004027333633699</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_A8MFNq34JL4/Ss2A1yb1VjI/AAAAAAAABF8/jPXtidUhVgw/S220/JAB-59A.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2963960963205123208.post-1760431692513417045</id><published>2007-07-15T19:07:00.000+01:00</published><updated>2007-07-15T19:11:59.686+01:00</updated><title type='text'>Um blog amigável</title><content type='html'>«&lt;em&gt;O verbo haver é sempre impessoal se for verbo principal, o que se manifesta inclusivamente na flexão dos seus auxiliares. Só devemos conjugar o verbo haver em todas as pessoas quando é auxiliar: seja com o sentido de ter (ex.: “eles haviam feito”), seja como expressão de intenção (ex.: “eles hão de fazer”)»,&lt;/em&gt; leio eu num &lt;a href="http://www.linguamodadoisec.blogspot.com/"&gt;blog amigável&lt;/a&gt;, dedicado à língua portuguesa, aquela mesma em que eu me exprimo com tantos erros e carregado de dúvidas! Leio, sim, e animado penso que, mau grado as minhas gralhas e tantas hesitações, eu hei-de aprender e eles hão-de ver como é!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2963960963205123208-1760431692513417045?l=espantosalingua.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2963960963205123208/posts/default/1760431692513417045'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2963960963205123208/posts/default/1760431692513417045'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://espantosalingua.blogspot.com/2007/07/um-blog-amigvel.html' title='Um blog amigável'/><author><name>José António Barreiros</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10270004027333633699</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_A8MFNq34JL4/Ss2A1yb1VjI/AAAAAAAABF8/jPXtidUhVgw/S220/JAB-59A.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2963960963205123208.post-2728860381536368202</id><published>2007-07-14T19:56:00.000+01:00</published><updated>2007-07-14T20:03:58.768+01:00</updated><title type='text'>Boneca de trapos</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Visitei ontem um museu do que fora em tempos uma fábrica de papel e vi como ele se fazia, primeiro a partir do trapo. Aprendi o que é a marca de água, cerzida em fio de cobre numa trama de onde escorre a água e se aglomera a pasta. Vi-o, ao papel já feito, pendurado nas «tesas» a secar, para ali alçado à força de braços de mulheres. Saí de lá com respeito por cada uma das folhas que desperdiço. Já no final da visita aprendi que o papel se conta não só às «resmas», mas também às «mãos». A fábrica foi criada no século dezanove por uma mulher. Fazia-se de tudo, do papel de embrulho aos cartuxos. Mas aprendi sobretudo o sentido último do «andar ao trapo com um gancho». Mais do que uma expressão, é um modo de vida, como outra coisa qualquer.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2963960963205123208-2728860381536368202?l=espantosalingua.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2963960963205123208/posts/default/2728860381536368202'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2963960963205123208/posts/default/2728860381536368202'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://espantosalingua.blogspot.com/2007/07/boneca-de-trapos.html' title='Boneca de trapos'/><author><name>José António Barreiros</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10270004027333633699</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_A8MFNq34JL4/Ss2A1yb1VjI/AAAAAAAABF8/jPXtidUhVgw/S220/JAB-59A.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2963960963205123208.post-7722737202622939516</id><published>2007-07-09T01:15:00.000+01:00</published><updated>2007-07-09T01:20:54.362+01:00</updated><title type='text'>O sentir-se</title><content type='html'>Há numa carta que o Fernando Pessoa escreveu em 4 de Setembro de 1916 para o Armando Côrtes-Rodrigues, na qual, admitindo que «tenho passado estes últimos meses a passar estes últimos meses», proclama, esperançoso que se está «reconstruindo», para o que iria contribuir o retirar o acento circunflexo ao seu apelido, pois o ^«prejudica o nome cosmopolitamente». Como se já não bastasse para mostrar o que é o ser anímico de uma língua, Nogueira Pessoa remata com um «sinta-se abraçado pelo seu muito amigo e dedicado. «Sinta-se abraçado», eis!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2963960963205123208-7722737202622939516?l=espantosalingua.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2963960963205123208/posts/default/7722737202622939516'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2963960963205123208/posts/default/7722737202622939516'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://espantosalingua.blogspot.com/2007/07/o-sentir-se.html' title='O sentir-se'/><author><name>José António Barreiros</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10270004027333633699</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_A8MFNq34JL4/Ss2A1yb1VjI/AAAAAAAABF8/jPXtidUhVgw/S220/JAB-59A.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2963960963205123208.post-522168986608296893</id><published>2007-06-16T12:44:00.000+01:00</published><updated>2007-06-16T12:55:53.865+01:00</updated><title type='text'>O zero e o infinito</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Há na versão brasileira do português aquela forma prodigiosa de dizer que só não é nossa por nós sermos um povo de contidos. «Como na Paraíba, ele se acocorava no chão, o traseiro sentado no zero», leio no livro com que ando, da Clarice Lispector. Lê-se, vê-se e sente-se, exactamente o redondo anelar do ânus, plasmado no chão, como se um olho cego, no poisadeiro situado e em nulo projectado. O zero, o sinal que a numeração romana não conhecia, descoberto pelos árabes, neutro na adição, absorvente na multiplicação, noves fora nada.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2963960963205123208-522168986608296893?l=espantosalingua.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2963960963205123208/posts/default/522168986608296893'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2963960963205123208/posts/default/522168986608296893'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://espantosalingua.blogspot.com/2007/06/o-zero-e-o-infinito.html' title='O zero e o infinito'/><author><name>José António Barreiros</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10270004027333633699</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_A8MFNq34JL4/Ss2A1yb1VjI/AAAAAAAABF8/jPXtidUhVgw/S220/JAB-59A.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2963960963205123208.post-4016104700317872105</id><published>2007-05-27T20:29:00.000+01:00</published><updated>2007-05-27T21:05:06.725+01:00</updated><title type='text'>Prodigiosas teorias</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Podia começar com um qualquer livro, tantos são aqueles em que surpreendemos a espantosa língua na sua mirífica capacidade de ser exprimir. Mas foi ao ler as «Paisagens da China e do Japão» que, neste domingo triste, me decidi a concretizar o que de há muito me seguia como ideia. Parar por um momento, para reflectir no dito e no como foi dito. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Diz Wenceslau de Moraes, a propósito do Ano Novo Chinês: «ao lojas estão escancaradas ao público: frutos, flores, doces, carniças, bonecos, coisas santas, estendem-se pelos caminhos em prodigiosas teorias».&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Estanquei na palavra «teorias». Estranho uso, curiosa significação. No português antigo queria dizer fila de pessoas numa procissão, aqui, por imagem, a arrumação ordenada, em filas, de tudo quanto se possa imaginar, para vender, em prodigiosas teorias.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2963960963205123208-4016104700317872105?l=espantosalingua.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2963960963205123208/posts/default/4016104700317872105'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2963960963205123208/posts/default/4016104700317872105'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://espantosalingua.blogspot.com/2007/05/prodigiosas-teorias.html' title='Prodigiosas teorias'/><author><name>José António Barreiros</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10270004027333633699</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_A8MFNq34JL4/Ss2A1yb1VjI/AAAAAAAABF8/jPXtidUhVgw/S220/JAB-59A.jpg'/></author></entry></feed>
